
Em 1986, na Ucrânia, país pertencente a então União Soviética, ocorreu o maior acidente nuclear da história. Na madrugada do dia de 26 de Abril, a equipe responsável pelo reator 4 da Usina Nuclear de Chernobyl resolveu fazer um teste, que consistia em testar o funcionamento da usina em baixa energia. Logo após o teste falhar, decidiram aumentar a temperatura rapidamente, um erro gravíssimo, visto que o reator era instável e consequentemente não aguentou a pressão. Ele então explodiu, expelindo quilos de material radioativo para a atmosfera.
O reator permaneceu aberto por 10 dias, depositando toneladas de material radioativo na atmosfera e afetando a vida de milhões de pessoas. Para que a radiação fosse contida, cerca de 600 homens e mulheres, trabalharam limpando a radiação e concertando a antiga usina, eles eram chamados de "os liquidadores". Muitos deles se voluntariaram porque acreditavam que aquilo era o certo a se fazer. Exerceram este trabalho sem qualquer forma de proteção, a não ser máscaras, e logo tiveram que conviver com nauseas e dores no coração.
O sarcófago usado para fechar o reator, criado em 1986, encerra seu ciclo de validade, e pensando nisso, o governo ucraniano financiou um projeto denominado "Mammoet", de uma empresa inglesa. Ele é uma estrutura em forma de arco de 92,5 metros de altura que está sendo construído ao lado do reator, ele será deslizado por meio de trilhos até cobrir o reator. É esperado que este projeto seja finalizado até 2017. Com uma "validade" de cerca de 100 anos, parece ser a solução temporária para o caso de Chernobyl.
Ainda hoje, as pessoas que moram na região convivem com a radiação. O Iodo-131, por exemplo, liberado no vazamento de Chernobyl, é a causa da grande quantidade de casos de câncer na tireoide que ocorreram desde então com os moradores de cidades e vilas próximas a Chernobyl. As crianças, que são as mais afetadas com esta doença, totalizam cerca de 4.000 casos.
Além deste impacto em seres humanos, o desastre de Chernobyl mudou a fauna e a flora. Poeiras e cinzas radioativas espalharam-se por mais de 200.000 quilômetros quadrados. O césio-137, que danifica o DNA, é um dos maiores causadores dos tumores. Segundo estudos, foi constatado que o número de mamíferos e insetos diminuiu muito nas ultimas décadas nas regiões próximas a usina. Além disso, repararam que o tamanho do cérebro das aves que vivem nesta área é menor que o das mesmas aves que não entraram em contato com a radiação.
Infelizmente, a solução encontrada pelo governo ucraniano não é eterna e futuramente teremos que lidar com a radiação novamente. Um erro humano, como visto, custou a vida de centenas, ou até milhares de pessoas e ainda trará sequelas para as novas e futuras gerações. Cidades abandonadas e cemitérios lotados, Chernobyl virou palco do maior acidente nuclear da história.

